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Lords of The Fallen: entre a fé e o fanatismo, um soulslike de acertos e erros

  • Pedro Jadon
  • 24 de ago.
  • 5 min de leitura
Imagem: CI Games
Imagem: CI Games

Lords of the Fallen é um soulslike produzido pelo estúdio Hexaworks pertencente à CI Games. O jogo apresenta uma narrativa densa, repleta de deuses, impérios, corrupção e ciclos de ressurreição. O título de 2023 também funciona como um reboot do jogo original, lançado em 2014.

O reino de Mournstead está ameaçado pelo retorno de Adyr, o deus-demônio dos Rhogar, que foi derrotado pelos seguidores de Orius e aprisionado séculos atrás. Para impedir seu retorno, a Ordem dos Hallowed Sentinels ergueu cinco beacons, que deveriam conter a influência de Adyr. Porém, ao longo dos anos, a própria ordem acabou sendo corrompida por seu fanatismo, e os beacons também passaram a sofrer a influência do deus-demônio.

Nosso personagem carrega uma lanterna que permite acessar o Umbral, uma dimensão do mundo dos mortos que existe em paralelo ao mundo dos vivos. Lugares que parecem comuns em Axiom revelam, no Umbral, cadáveres, criaturas, memórias e acontecimentos ligados ao passado. Dessa forma, a própria exploração do mundo se torna uma maneira de descobrir a história de Mournstead.

Durante sua jornada, o protagonista enfrenta diversos inimigos enquanto busca purificar os cinco beacons, espécies de faróis que estão sendo corrompidos pela influência de Adyr.

Conforme a história avança, descobrimos que o conflito não se resume a uma luta entre o bem e o mal. A Igreja de Orius, que representa a Radiância, também é capaz de cometer atrocidades, enquanto os seguidores de Adyr acreditam estar combatendo uma ordem injusta.


Sobre a narrativa

Lords of the Fallen mostra que o conflito entre luz e trevas vai além de uma simples luta entre o bem e o mal. Orius representa a ordem, a luz e o julgamento, enquanto Adyr representa a rebelião, a liberdade e o caos. Seus seguidores, porém, podem levar essas ideias ao extremo: os fiéis de Orius enxergam Adyr e seus seguidores como uma ameaça à Luz, enquanto os de Adyr veem Orius como um opressor que persegue sua fé.

O jogo mostra como a religião, quando ligada ao poder, pode transformar a fé em justificativa para perseguição, violência e fanatismo, fazendo com que pessoas acreditem estar cometendo atrocidades em nome do bem.


Nosso protagonista dentro da Catedral, localizada no Convento das Irmãs Sangradas:

Imagem: CI Games
Imagem: CI Games

Gráficos e detalhamento do mundo

Lords of the Fallen apresenta uma direção artística de boa qualidade, perceptível nos detalhes de seus castelos, vilas, pântanos e outros ambientes. A vestimenta e a aparência dos personagens também reforçam a identidade de cada grupo.

Enquanto os Hallowed Sentinels possuem uma estética mais religiosa e imponente, os Rhogar apresentam uma aparência monstruosa e grotesca, marcada pela escuridão e pela corrupção. Esse contraste visual ajuda a representar as diferentes ideologias e crenças presentes no mundo do jogo, embora a própria história questione a ideia de que um lado seja simplesmente puro e o outro, corrompido.


Nosso personagem à frente do Castelo do Descanso Celeste após derrotar a chefe Pieta:

Imagem: CI Games
Imagem: CI Games

Sistemas de jogabilidade: mecânica de dois mundos e combate

O jogo possui uma interessante mecânica que permite transportar o jogador do mundo dos vivos para o Umbral por meio de sua lanterna. Esse sistema revela uma realidade que não conseguimos enxergar em Axiom, além de apresentar memórias que funcionam como elementos adicionais da história.

A mecânica também permite desbloquear portas e acessar passagens que são inacessíveis no mundo dos vivos. Além disso, alguns itens essenciais, como catalisadores e quintessência santa, só podem ser obtidos no Umbral.

Em relação ao combate, senti que ele é relativamente simples e tranquilo de aprender, mesmo nos primeiros minutos de jogo. O uso de algumas magias e itens que adicionam efeitos de Radiância, sangramento, envenenamento, entre outros, também pode facilitar bastante as lutas contra inimigos e chefes.


Nosso personagem no Umbral, na porta do Castelo de Bramis, sob o olhar da Mãe Pútrida:

Imagem: CI Games
Imagem: CI Games

Spam de inimigos no Umbral

Esse, sem dúvidas, é um dos pontos fracos do jogo. Em determinadas áreas, quando você vai para o Umbral, o local fica repleto de inimigos, o que acaba tornando a campanha um pouco maçante.

Além de enfrentar os inimigos do Umbral, você também precisa lidar com aqueles presentes no mundo dos vivos. Em algumas situações, as estatuetas utilizadas para retornar ao mundo dos vivos não ficam próximas umas das outras, aumentando ainda mais o percurso.

Caso você morra durante esse trajeto, muitas vezes é necessário retornar à área inicial do mapa e refazer todo o caminho até o ponto em que estava anteriormente.


Excessivo número de inimigos no Umbral na região Empíreo:

Imagem: CI Games
Imagem: CI Games

Savepoints escassos

Outro problema que observei durante a campanha foi a falta de pontos para salvar o progresso em determinadas regiões.

Em Lords of the Fallen, quando você morre, ainda existe uma segunda chance de continuar sua jornada no Umbral até encontrar uma estatueta que permita retornar ao mundo dos vivos. O problema é que a possibilidade de morrer novamente e precisar voltar para uma área anterior é grande, fazendo com que seja necessário percorrer novamente todo o caminho.

O jogo possui locais onde é possível plantar sementes de vestígio e criar pontos de salvamento. Porém, caso você já tenha utilizado as sementes obtidas em lutas contra chefes e minichefes, será necessário comprá-las com um mercador, e o preço é elevado.

Muitas vezes, fiquei me questionando se valia a pena gastar o dinheiro que havia acumulado no jogo para subir de nível, melhorar minhas armas ou comprar uma semente de vestígio. Essa escolha acabou sendo um pouco frustrante, principalmente quando eu precisava decidir entre evoluir meu personagem e garantir um ponto de salvamento para não perder o progresso naquela região.


Nosso personagem plantando uma semente de vestígio para criar o savepoint dentro do Castelo de Bramis:

Imagem: CI Games
Imagem: CI Games

Bugs do jogo

Apesar de Lords of the Fallen ter recebido atualizações que precisam ser reconhecidas e elogiadas, alguns problemas ainda deixaram a desejar durante minha primeira experiência com o jogo.

Em uma situação, por exemplo, um inimigo estava próximo a uma porta e, ao aplicar um golpe carregado, meu personagem simplesmente atravessou uma porta que não poderia ser aberta, enquanto sua arma continuava girando sem motivo aparente.

Outro problema que percebi aconteceu na passagem entre o Presbitério dos Irmãos Santos e a Torre da Penitência. Nessa região, a imagem ficou um pouco pixelada, comprometendo a qualidade gráfica.

Por fim, também aconteceu de meu personagem congelar ao passar para o Umbral e não responder aos meus comandos durante alguns segundos. Isso acabou me prejudicando naquela região.


Imagem do jogo pixelando entre a passagem do Presbitério dos Irmãos Sagrados e a Torre da Penitência:

Imagem: CI Games
Imagem: CI Games

Sobre o jogo

Apesar dos defeitos que apontei nesta review, Lords of the Fallen é um bom jogo e consegui aproveitá-lo durante toda a campanha. Tanto que já estou me programando para, no futuro, jogá-lo novamente e buscar um dos outros dois finais disponíveis.

Por isso, recomendo Lords of the Fallen tanto para os fãs do gênero soulslike quanto para aqueles que ainda não estão familiarizados com esse estilo de jogo.


Nosso personagem no Umbral, na região do Convento das Irmãs Sagradas, sob o olhar da Mãe Pútrida:

Imagem: CI Games
Imagem: CI Games

Lords of The Fallen está disponível para as plataformas: PlayStation 5, Xbox Series X/S e PC.



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